Risco e continuidade
Em (Um) Ensaio sobre a Cegueira, o Grupo Galpão, conduzido por Rodrigo Portella, demonstra sintonia com a tendência do teatro de hoje de incluir o espectador na cena, priorizando mecanismos explícitos em detrimento de uma sensibilização mais sutil. Mas o espetáculo mostra que o Galpão preserva saudável inquietação ao mergulhar em material dramatúrgico nada previsível e permanece coerente ao investir no refinamento de seus procedimentos artísticos.
Desconstrução em imagens
Apesar da atualidade e da importância da questão abordada – o apagamento da voz da mulher –, o conto de Charlotte Perkins Gilman, pelo menos da forma como surge disposto em cena, parece algo estacionado sobre uma circunstância única. A montagem dirigida por Alessandra Maestrini e Denise Stoklos, com Gabriela Duarte, suscita mais interesse pelo modo como a desconstrução da personagem se materializa em imagens na cena do que pelo texto em si.
Um Hamlet repleto de apelos sedutores
A realização de um Hamlet inclusivo, sintonizado com a atualidade, é bem-vinda, mas esse direcionamento fica muitas vezes restrito à esfera do efeito envolvente, a exemplo da inserção e do reposicionamento do público dentro da cena. Ainda assim, o domínio da palavra transparece em algumas atuações.
Entre a transparência e o enigma
O solo de Guilherme Logullo, dirigido por Arthur Makaryan, contrasta e concilia um registro de atuação invisível com uma dramaturgia física bem menos direta que o discurso frontal. Esse texto do corpo nasce de uma articulação entre teatro e dança, que não fecha sentidos nem indica mensagens.
Um musical que extravasa do palco
Apesar de ter sido concebida mais a partir da segurança do produto aclamado do que da incógnita do novo, essa nova e contagiante versão de Hair, assinado pela dupla Möeller/Botelho, evidencia habilidoso domínio de todos os setores da cena.
Específico e universal
Apesar de o comportamento dos personagens trazer novas informações e camadas sobre eles, a dinâmica muda pouco, o que gera uma sensação de repetição. Mas as interpretações de Paula Cohen e Jiddu Pinheiro e as proposições artísticas que integram a cena sustentam o interesse em torno de Finlândia.