Entre o extravasamento e a contenção
Inez Viana assina uma montagem transbordante, física, catártica (como o retrato traçado de Monique) e, em outros momentos, convencional, cerebral, contida (como o retrato traçado de Édouard Louis). Essa oscilação torna o resultado indefinido. Mas a elaboração das questões promovidas pela dramaturgia nas criações artísticas que constituem a montagem e a interpretação de Malu Galli instigam o espectador.
Os limites do corpo
Cada espectador transita livremente pelo espaço da sala onde a bailarina Verônica Santos executa partituras de movimentos numa sucessão de imagens inquietantes mescladas a diversos estímulos artísticos. Nessa instalação cênica de Wagner Antônio, a palavra também é valorizada por meio da dramaturgia de Dione Carlos, que destaca a reverberação de assuntos concretos na subjetividade de Verônica.
Aventura pelo desconhecido
Mesmo que um pouco distante da atmosfera de sonho e encantamento, essa nova versão de A Máquina tende a envolver o público com a qualidade poética do texto de João Falcão e a vibração do elenco, que gira vigorosamente a roda do tempo no meio do palco vazio.
Entre o discurso engajado e a imagem abstrata
Vinte! é uma encenação que transita entre a concretude do texto politizado e a abstração de imagens algo enigmáticas. Na intercalação entre esses procedimentos contrastantes prevalece o rigor da criação, flagrante na expressividade dos corpos dos integrantes do elenco, na conjugação entre as manifestações artísticas e no refinamento estético.
O fio do tempo
O Grupo Lume conjuga memórias pessoais e coletivas (da própria companhia e do país) em espetáculo dirigido por Emilio García Wehbi e marcado por meio de hábil concepção dramatúrgica de Pedro Kosovski.
A teatralidade do real
Nessa montagem centrada nas experiências da diretora/autora Marcela Andrade e dos atores Reinaldo Dutra e Uriel Dames – relacionadas ao fazer artístico no Jardim Catarina, em São Gonçalo -, as imagens não reiteram a dramaturgia. Os artistas se debruçam sobre o cotidiano, abordam a realidade, mas transcendem a linguagem realista por meio de uma cena sintética e inventiva.