Todas as facetas de um ator
Evaldo Mocarzel sinaliza a ambição de cobrir os variados campos de atuação de Sérgio Mamberti (1939-2021). Em se tratando de um filme de cerca de 90 minutos, determinadas condensações são inevitáveis. O trabalho em teatro ganha compreensível prioridade, mas sua militância política e as atuações no cinema e na televisão não deixam de ser lembradas nesse consistente e oportuno documentário.
O texto do corpo
Marcela Borela apresenta o processo de criação de Por 7 Vezes, espetáculo da Quasar Cia. de Dança, mas sem investir em condução didática. Prioriza impactantes imagens de corpos em movimento.
Amplo depoimento num único espaço
Esse documentário realizado por Jura Capela a partir de um depoimento de José Celso Martinez Corrêa, registrado em 2007, não apresenta grandes novidades em relação a outros filmes centrados no encenador, como Evoé! Retrato de um Antropófago (2011), de Tadeu Jungle e Elaine Cesar, e Fédro (2021), de Marcelo Sebá. Seja como for, escutar Zé Celso é sempre oportuno.
Ato de reverência
A escolha do curta-metragem O Fantasma da Ópera, dirigido por Julio Bressane e Rodrigo Lima, para a abertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes se justifica, sobretudo, como homenagem a Bressane, um diretor que, às vésperas de completar 80 anos, confirma sua fidelidade a um cinema autoral, que não cede a pressões do mercado.
Intencional imprecisão
Nesse solo de Chay Suede, sob a direção de Felipe Hirsch, chama atenção o jogo cênico concebido a partir de oposições (verdade/mentira, realidade/imaginação, biográfico/ficcional, totalidade/fragmentação). Um jogo que se estende a um ocasional atrito entre um texto (de Caetano W. Galindo, com a colaboração de Hirsch) que busca a densidade poética e eventuais imagens que desconstroem a formalidade da escrita. Mesmo que seja mais interessante na esfera da articulação teórica do que na prática da cena, o resultado confirma a inquietação que move o teatro de Hirsch.
Fidelidade sem subserviência
Nessa montagem da peça de August Strindberg, Eduardo Tolentino de Araujo afirma a relevância do texto por meio de um olhar respeitoso e, ao mesmo tempo, inventivo.