Questões abrangentes em trama condensada
Autor do texto, Pedro Manoel Nabuco ambiciona um arco (temporal, social) amplo, mas, provavelmente com o intuito de envolver o espectador, prioriza as reviravoltas de uma trama condensada, que dialoga com representações eletrizantes da realidade, em detrimento de uma abordagem adensada dos conteúdos reunidos. Mas a encenação da Má Companhia, dirigida por Gabrielly Vianna, suscita certo grau de curiosidade.
Cena despojada com imagens inventivas
O Som que vem de Dentro, a peça, nem sempre soa verossímil na apresentação das situações. Mas a montagem conecta o espectador com a escuta do texto e com uma cena que instiga por meio da concepção visual.
Violência estampada no corpo
Como nos “antimusicais” apresentados pela companhia, nos quais os números musicais não eram utilizados como apelos de sedução, aqui a dança não se impõe “meramente” como elemento atrativo. Na dramaturgia cênica do espetáculo, o caráter enérgico e contagiante da dança surge em incômodo contraste com toda a violência tematizada ao longo da encenação: a violência vivenciada, em diversos momentos históricos, pelos muitos oprimidos em diferentes países da América Latina.
Variações e repetições
A atuação de Vera Fischer e a cenografia de Natália Lana estão entre os méritos artísticos da montagem de Tadeu Aguiar, mas a fragilidade da peça de Ken Levine inevitavelmente prejudica o resultado.
Notas sobre a verdade
Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo busca uma proximidade direta com o público, capturado por meio de mecanismos de inclusão na cena e de envolvimento na atmosfera do tribunal. Em relação aos principais nortes de sua trajetória como encenadora – as dessacralizadas abordagens de peças clássicas e a mescla das linguagens do teatro e do cinema –, Christiane Jatahy mais confirma uma coerência do que desenvolve a pesquisa. O resultado, porém, conquista o espectador por meio de procedimentos executados com grande eficiência e das atuações, marcadas por pleno domínio da palavra, de Wagner Moura e Danilo Grangheia.
Sensível captura do cotidiano
Como dramaturgo, Thiago Marinho imprime humor doce-amargo, transitando entre uma linha de comicidade aberta, expansiva, e certa melancolia quando os personagens externam verdades dolorosas. A qualidade do texto fica realçada num espetáculo marcado pela harmonia entre as criações artísticas – direção, atuações e concepção visual.