Ecos do besteirol
O humor irreverente, a estrutura de esquetes, a escolha do teatro como temática e o comprometimento dos artistas com a criação como um todo aproximam a montagem da tradição do besteirol. Ainda que algumas cenas tenham duração esgarçada, o entrosamento e a habilidade dos atores garantem momentos de diversão.
Ao sabor das referências
Inspirado nas vivências da diretora Valeria Bruni Tedeschi, Jovens Amantes aborda os relacionamentos intensos e conturbados entre os integrantes de um grupo de alunos/atores. Há célebres personagens reais, como o encenador Patrice Chéreau, e diversas referências teatrais. Uma delas tem sabor especial para o público brasileiro: Macunaíma, espetáculo dirigido por Antunes Filho, que estreou em 1978 e foi apresentado ao longo de anos.
Princípios artísticos bem definidos
A conjugação entre teatro e outras artes (em especial, cinema e literatura) retorna nesse novo espetáculo da Companhia Polifônica que propõe operação dramatúrgica a partir de livros de Édouard Louis. O resultado evidencia o amadurecimento da pesquisa do grupo.
Melodrama sob controle
O diretor Luís Artur Nunes não evitou um certo nivelamento na temperatura das cenas durante o espetáculo. Mas secou, oportunamente, o potencial melodramático do texto. Além disso, não cedeu aos atrativos de uma concepção estética embelezada. E conseguiu um resultado equilibrado com o elenco.
Um mambembe repleto de interferências
A necessidade de frisar a ligação entre a temática da peça e os dias de hoje acaba aproximando o espetáculo de muitas experiências cênicas do aqui/agora e distanciando-o do frescor do texto de Artur Azevedo.
Inabalável poder de sedução
Assistir à entrosada contracena entre Elias Andreato e Johnny Massaro é o maior atrativo dessa montagem, que cumpre a importante função de oferecer ao público algo cada vez menos frequente com o passar do tempo: um exemplar bem feito de teatro de mercado a partir da escolha de um texto comunicativo, apesar de previsível.