A valorização e a dessacralização do texto
A palavra ganhou destaque no panorama teatral de 2025, seja por meio de montagens de peças clássicas, seja através de adaptações de textos literários. Na maior parte das vezes, os textos passaram por alterações – mudanças nos contextos originais, supressão de personagens e/ou concentração em momentos específicos das histórias. Além disso, diversas montagens sinalizaram tendência de seduzir o espectador incluindo-o literalmente na cena.
Questões abrangentes em trama condensada
Autor do texto, Pedro Manoel Nabuco ambiciona um arco (temporal, social) amplo, mas, provavelmente com o intuito de envolver o espectador, prioriza as reviravoltas de uma trama condensada, que dialoga com representações eletrizantes da realidade, em detrimento de uma abordagem adensada dos conteúdos reunidos. Mas a encenação da Má Companhia, dirigida por Gabrielly Vianna, suscita certo grau de curiosidade.
Cena despojada com imagens inventivas
O Som que vem de Dentro, a peça, nem sempre soa verossímil na apresentação das situações. Mas a montagem conecta o espectador com a escuta do texto e com uma cena que instiga por meio da concepção visual.
Violência estampada no corpo
Como nos “antimusicais” apresentados pela companhia, nos quais os números musicais não eram utilizados como apelos de sedução, aqui a dança não se impõe “meramente” como elemento atrativo. Na dramaturgia cênica do espetáculo, o caráter enérgico e contagiante da dança surge em incômodo contraste com toda a violência tematizada ao longo da encenação: a violência vivenciada, em diversos momentos históricos, pelos muitos oprimidos em diferentes países da América Latina.
Uma festa para João Bethencourt
Em homenagem ao comediógrafo João Bethencourt (1924-2006), uma mostra composta por exposição e leituras dramatizadas de algumas de suas peças. A programação, gratuita, pode ser conferida no foyer do Teatro Glauce Rocha e na Sala Murilo Miranda.
Variações e repetições
A atuação de Vera Fischer e a cenografia de Natália Lana estão entre os méritos artísticos da montagem de Tadeu Aguiar, mas a fragilidade da peça de Ken Levine inevitavelmente prejudica o resultado.