Ato de reverência
A escolha do curta-metragem O Fantasma da Ópera, dirigido por Julio Bressane e Rodrigo Lima, para a abertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes se justifica, sobretudo, como homenagem a Bressane, um diretor que, às vésperas de completar 80 anos, confirma sua fidelidade a um cinema autoral, que não cede a pressões do mercado.
Intencional imprecisão
Nesse solo de Chay Suede, sob a direção de Felipe Hirsch, chama atenção o jogo cênico concebido a partir de oposições (verdade/mentira, realidade/imaginação, biográfico/ficcional, totalidade/fragmentação). Um jogo que se estende a um ocasional atrito entre um texto (de Caetano W. Galindo, com a colaboração de Hirsch) que busca a densidade poética e eventuais imagens que desconstroem a formalidade da escrita. Mesmo que seja mais interessante na esfera da articulação teórica do que na prática da cena, o resultado confirma a inquietação que move o teatro de Hirsch.
Fidelidade sem subserviência
Nessa montagem da peça de August Strindberg, Eduardo Tolentino de Araujo afirma a relevância do texto por meio de um olhar respeitoso e, ao mesmo tempo, inventivo.
Destaques da cena em 2025
Musical vibrante, monólogo contundente, trabalhos de companhias, textos brasileiros originais ou concebidos a partir de adaptações literárias, valorização da temática da violência: a diversidade na relação dos cinco melhores espetáculos apresentados, ao longo do ano, no Rio de Janeiro.
A valorização e a dessacralização do texto
A palavra ganhou destaque no panorama teatral de 2025, seja por meio de montagens de peças clássicas, seja através de adaptações de textos literários. Na maior parte das vezes, os textos passaram por alterações – mudanças nos contextos originais, supressão de personagens e/ou concentração em momentos específicos das histórias. Além disso, diversas montagens sinalizaram tendência de seduzir o espectador incluindo-o literalmente na cena.
Questões abrangentes em trama condensada
Autor do texto, Pedro Manoel Nabuco ambiciona um arco (temporal, social) amplo, mas, provavelmente com o intuito de envolver o espectador, prioriza as reviravoltas de uma trama condensada, que dialoga com representações eletrizantes da realidade, em detrimento de uma abordagem adensada dos conteúdos reunidos. Mas a encenação da Má Companhia, dirigida por Gabrielly Vianna, suscita certo grau de curiosidade.