Melodrama sob controle
O diretor Luís Artur Nunes não evitou um certo nivelamento na temperatura das cenas durante o espetáculo. Mas secou, oportunamente, o potencial melodramático do texto. Além disso, não cedeu aos atrativos de uma concepção estética embelezada. E conseguiu um resultado equilibrado com o elenco.
Um mambembe repleto de interferências
A necessidade de frisar a ligação entre a temática da peça e os dias de hoje acaba aproximando o espetáculo de muitas experiências cênicas do aqui/agora e distanciando-o do frescor do texto de Artur Azevedo.
Inabalável poder de sedução
Assistir à entrosada contracena entre Elias Andreato e Johnny Massaro é o maior atrativo dessa montagem, que cumpre a importante função de oferecer ao público algo cada vez menos frequente com o passar do tempo: um exemplar bem feito de teatro de mercado a partir da escolha de um texto comunicativo, apesar de previsível.
Fragmentos de humanidade
Avenida Paulista, da Consolação ao Paraíso nasceu a partir de um convite para comemorar os 60 anos do Sesi-SP e os 20 anos de Avenida Dropsie. Esse novo espetáculo, porém, evidencia um pertencimento mais amplo dentro da trajetória de Felipe Hirsch, que parece cada vez mais dedicado a produções ambiciosas, a julgar pela engenharia cênica e pelos elencos numerosos. A priorização desse formato implica em determinadas perdas, mas não se traduz necessariamente como estagnação.
Shakespeare com os habituais traços da cena contemporânea
Uma montagem que investe mais na conexão com o espectador do século XXI do que numa abordagem consistente da controversa peça de William Shakespeare.
Clássico com saudável inquietação
Paulo de Moraes não subverte a peça de Samuel Beckett. De qualquer maneira, propõe uma leitura que, mesmo atravessada por eventuais excessos, se revela oportuna. A interpretação minuciosa de Patrícia Selonk valoriza o resultado.