Ato de reverência
A escolha do curta-metragem O Fantasma da Ópera, dirigido por Julio Bressane e Rodrigo Lima, para a abertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes se justifica, sobretudo, como homenagem a Bressane, um diretor que, às vésperas de completar 80 anos, confirma sua fidelidade a um cinema autoral, que não cede a pressões do mercado.
Intencional imprecisão
Nesse solo de Chay Suede, sob a direção de Felipe Hirsch, chama atenção o jogo cênico concebido a partir de oposições (verdade/mentira, realidade/imaginação, biográfico/ficcional, totalidade/fragmentação). Um jogo que se estende a um ocasional atrito entre um texto (de Caetano W. Galindo, com a colaboração de Hirsch) que busca a densidade poética e eventuais imagens que desconstroem a formalidade da escrita. Mesmo que seja mais interessante na esfera da articulação teórica do que na prática da cena, o resultado confirma a inquietação que move o teatro de Hirsch.
Fidelidade sem subserviência
Nessa montagem da peça de August Strindberg, Eduardo Tolentino de Araujo afirma a relevância do texto por meio de um olhar respeitoso e, ao mesmo tempo, inventivo.
Questões abrangentes em trama condensada
Autor do texto, Pedro Manoel Nabuco ambiciona um arco (temporal, social) amplo, mas, provavelmente com o intuito de envolver o espectador, prioriza as reviravoltas de uma trama condensada, que dialoga com representações eletrizantes da realidade, em detrimento de uma abordagem adensada dos conteúdos reunidos. Mas a encenação da Má Companhia, dirigida por Gabrielly Vianna, suscita certo grau de curiosidade.
Cena despojada com imagens inventivas
O Som que vem de Dentro, a peça, nem sempre soa verossímil na apresentação das situações. Mas a montagem conecta o espectador com a escuta do texto e com uma cena que instiga por meio da concepção visual.
Violência estampada no corpo
Como nos “antimusicais” apresentados pela companhia, nos quais os números musicais não eram utilizados como apelos de sedução, aqui a dança não se impõe “meramente” como elemento atrativo. Na dramaturgia cênica do espetáculo, o caráter enérgico e contagiante da dança surge em incômodo contraste com toda a violência tematizada ao longo da encenação: a violência vivenciada, em diversos momentos históricos, pelos muitos oprimidos em diferentes países da América Latina.