Aventura pelo desconhecido
Mesmo que um pouco distante da atmosfera de sonho e encantamento, essa nova versão de A Máquina tende a envolver o público com a qualidade poética do texto de João Falcão e a vibração do elenco, que gira vigorosamente a roda do tempo no meio do palco vazio.
Entre o discurso engajado e a imagem abstrata
Vinte! é uma encenação que transita entre a concretude do texto politizado e a abstração de imagens algo enigmáticas. Na intercalação entre esses procedimentos contrastantes prevalece o rigor da criação, flagrante na expressividade dos corpos dos integrantes do elenco, na conjugação entre as manifestações artísticas e no refinamento estético.
O fio do tempo
O Grupo Lume conjuga memórias pessoais e coletivas (da própria companhia e do país) em espetáculo dirigido por Emilio García Wehbi e marcado por meio de hábil concepção dramatúrgica de Pedro Kosovski.
A teatralidade do real
Nessa montagem centrada nas experiências da diretora/autora Marcela Andrade e dos atores Reinaldo Dutra e Uriel Dames – relacionadas ao fazer artístico no Jardim Catarina, em São Gonçalo -, as imagens não reiteram a dramaturgia. Os artistas se debruçam sobre o cotidiano, abordam a realidade, mas transcendem a linguagem realista por meio de uma cena sintética e inventiva.
A solidão e seus espaços
Alexandre Reinecke, que acumula as funções de diretor e adaptador na transposição do filme de Ettore Scola para o teatro, poderia ter encaminhado o elenco para um registro interpretativo mais interiorizado, de modo a valorizar as sutilezas contidas no encontro entre dois personagens desfavorecidos e solitários.
Vida e morte do coletivo
Cão nasceu do bem-vindo intercâmbio criativo entre as companhias Clowns de Shakespeare e Magiluth, mas enfoca a crise do coletivo. Essa oposição, aliada à instigante construção cênica, tende a mobilizar o público, mesmo que o espetáculo não alcance a graça almejada.