Imagens que escapam
De início, o espectador enxerga flashes do corpo nu do ator Maurício Lima. A partir de dado momento, as imagens projetadas sob uma superfície escapam, em alguma medida, ao olhar do espectador. Nesse sentido, Arqueologias do Futuro é um solo que intencionalmente continua não se revelando de modo integral diante do público.
A teatralidade do real
Nessa montagem centrada nas experiências da diretora/autora Marcela Andrade e dos atores Reinaldo Dutra e Uriel Dames – relacionadas ao fazer artístico no Jardim Catarina, em São Gonçalo -, as imagens não reiteram a dramaturgia. Os artistas se debruçam sobre o cotidiano, abordam a realidade, mas transcendem a linguagem realista por meio de uma cena sintética e inventiva.
A solidão e seus espaços
Alexandre Reinecke, que acumula as funções de diretor e adaptador na transposição do filme de Ettore Scola para o teatro, poderia ter encaminhado o elenco para um registro interpretativo mais interiorizado, de modo a valorizar as sutilezas contidas no encontro entre dois personagens desfavorecidos e solitários.
Vida e morte do coletivo
Cão nasceu do bem-vindo intercâmbio criativo entre as companhias Clowns de Shakespeare e Magiluth, mas enfoca a crise do coletivo. Essa oposição, aliada à instigante construção cênica, tende a mobilizar o público, mesmo que o espetáculo não alcance a graça almejada.
Todas as facetas de Fafá
O espetáculo não escapa completamente da padronização dos musicais biográficos. Mas Gustavo Gasparani consegue estabelecer alguma conexão com suas montagens anteriores dentro do gênero musical e exalta, de maneira oportuna, a brasilidade por meio da apresentação da trajetória da cantora Fafá de Belém.
Provocativa articulação de contrastes
O dramaturgo Eric Coble aborda questões da realidade por meio de circunstâncias cada vez mais distantes do real. A encenação, a cargo dos próprios atores (Karen Coelho e Rodrigo Pandolfo), concretiza no palco os desafios da peça.
Todas as facetas de um ator
Evaldo Mocarzel sinaliza a ambição de cobrir os variados campos de atuação de Sérgio Mamberti (1939-2021). Em se tratando de um filme de cerca de 90 minutos, determinadas condensações são inevitáveis. O trabalho em teatro ganha compreensível prioridade, mas sua militância política e as atuações no cinema e na televisão não deixam de ser lembradas nesse consistente e oportuno documentário.